31/10/2017 16:36

O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos, na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma digna velhice. Continuai com vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra.

(Discurso do Papa Francisco no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Santa Cruz de La Sierra-Bolívia, julho de 2015.)

 

A Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), realiza, no próximo dia 6 de novembro, das 19 h às 21h”, mais um evento “Conversas de Justiça e Paz”, com o tema: Terra, Teto e Trabalho: o clamor dos Movimentos Populares. O encontro será no Auditório Dom José Freire Falcão, Mitra Arquidiocesana, Esplanada dos Ministérios, junto à Catedral de Brasília.

Para compor a mesa como expositores, foram convidados os professores Guilherme Costa Delgado e Cristiano Otávio Paixão Araújo Pinto, e a professora Nair Heloisa Bicalho de Sousa, a quem agradecemos desde logo a disponibilidade. São proeminentes estudiosos em seus respectivos campos de atuação acadêmica e profissional, e gentilmente aceitaram o convite para abordar o tema-síntese da exortação de Francisco: Terra, Teto e Trabalho: o clamor dos movimentos populares.

Guilherme Delgado

Possui doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1984). É pesquisador aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA; foi membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz; tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura, política agrícola, política social, previdência social e previdência rural.

Nair Bicalho

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), em 1972; Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), em 1978; Doutora em Sociologia pela USP, em 1994; e Pós-Doutora pela Faculdade de Educação da USP, em 2010. Atualmente é Professora do Departamento de Serviço Social da UnB e Coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos da UnB.

Cristiano Paixão

É professor adjunto da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília. Integra, no Programa de Pós-Graduação, a linha de pesquisa Constituição e Democracia (sublinha História Constitucional e Historiografia). É Procurador Regional do Trabalho (MPT/MPU) lotado na Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (Brasília-DF). Foi Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (2012-2016). Foi Coordenador de Relações Institucionais da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da UnB (2012-2015).

A Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF) tem buscado trilhar o caminho iluminado por Francisco, e realizar sua missão de diálogo com a sociedade em defesa do desenvolvimento integral da pessoa humana, promovendo as “Conversas de Justiça e Paz”, sempre na primeira segunda-feira de cada mês. Com Francisco, cremos no efeito mobilizador da reflexão livre e da ação solidária para a tomada de posição perante os enormes desafios do grave momento de crise pelo qual passamos. Por isso, as “Conversas” realizadas pela CJP-DF têm buscado abrir um espaço democrático de reflexão, análise e mesmo de denúncia em relação ao contexto de ameaças e agressões aos direitos humanos no país e no Distrito Federal.

Em 2014, o Papa Francisco recebeu, no Vaticano, representantes de diversos países para o I Encontro Mundial dos Movimentos Populares – outros dois encontros ocorreram desde então, na Bolívia e em Roma. Naquela oportunidade, o Santo Padre, acolhendo-os, ouviu dos movimentos o que pode ser considerada a síntese histórica das demandas sociais por direitos e justiça deste início de milênio: Terra, Teto e Trabalho. Os três “Ts” (“Medito sobre cada um deles, porque os escolhestes como palavra de ordem para este encontro”). Em sua saudação, o Papa apontou o caminho pastoral a ser trilhado por uma igreja viva e solidária, em comunhão com os oprimidos de toda a Terra, a nossa casa, Casa Comum, pois, para Francisco: “Queremos que a vossa voz seja ouvida, a qual, normalmente, é pouco escutada. Talvez porque incomoda, talvez porque o vosso grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vós pretendeis, mas sem a vossa presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e os projetos que muitas vezes ouvimos nas conferências internacionais permanecem no reino da ideia”.

“Pelo Pontifício Conselho ‘Justiça e Paz’, presidido pelo Cardeal Turkson, soube também que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada Diocese, em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais, a aprofundar este encontro.”

Reforçamos, pois, o convite a toda a comunidade para esta Conversa de Justiça e Paz, no dia 6 de novembro, segunda-feira, na Cúria Metropolitana de Brasília, junto à Catedral.

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO AOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO MUNDIAL
DOS MOVIMENTOS POPULARES Ex-Sala do Sínodo, Terça-feira, 28 de Outubro de 2014:
https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2014/october/documents/papa-francesco_20141028_incontro-mondiale-movimenti-popolari.html

 

Por Comissão Justiça e Paz